Feriado

Era uma terça-feira. Descubro agora consultando um calendário antigo. 12 de outubro de 1982.
O primeiro Dia das Crianças do qual eu me lembro. Acordei mais cedo que de costume, animada com o passeio programado pelo meu pai para o feriado: ver aviões de verdade, grandões, no aeroporto de Viracopos, em Campinas. Uma novidade para meus olhinhos que, ate então, só tinham avistado uns teco-tecos que mais pareciam brinquedo de gente grande.
Uma segunda razão aumentava o entusiamo: a ideia do feriado em si. Naquele 12 de outubro de 1982 entendi o que significava um feriado. Um dia de folga da escola, uma agradável pausa na rotina, para passear com os pais, descansar e se divertir. “Mas hoje é feriado por que é dia das crianças?” Meu pai ou minha mãe – não lembro quem – me explicou que aquele dia era feriado em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, a santa padroeira do Brasil, um feriado novo, criado dois anos antes, quando o papa visitou o país em 1980.
Eu lembrava da visita do papa, que usava roupa branca de padre e falava português engraçado. Fiquei contente com a explicação, mas, momentos depois, uma dúvida me abateu: “não era feriado quando vocês eram crianças? E nem quando vocês casaram? Que triste!”
A comemoração de aniversário de 15 anos de casamento de meus pais era o terceiro motivo daquele passeio familiar. Na Belina II prateada, levei junto o meu presente de Dia das Crianças, uma boneca Sorvetinho, de cabelos de lã cor-de-rosa, que se tornou a minha favorita da infância. Queria que chegássemos logo a Campinas, nosso destino, uma cidade que me encantava com suas grandes avenidas, hipermercado, loja de departamento e café expresso, que tomei lá pela primeira vez. Naquela altura da minha vida, já tinha um fascínio precoce pela urbanidade.